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A prestigiada publicação anual NMC Horizon Reports, conduzida por 78 pesquisadores sêniores e organizada pelo consórcio NEW MEDIA e pelo EDUCASE, analisa e prediz as tendências da Educação para os próximos cinco anos, apontando desafios críticos e sugerindo soluções estratégias. Na versão 2017, publicada em meados de fevereiro deste ano, das seis tendências listadas pela publicação para os próximos cinco anos, duas são consideradas tendências de curto prazo: adoção de aprendizagem híbrida e maximização da aprendizagem colaborativa e ativa, ambas intimamente associadas às competências do século XXI e à Aprendizagem baseada em Projetos (Adams Becker et al., 2017). A Aprendizagem Colaborativa, um dos principais alicerces da PrBL, se baseia na construção do conhecimento e no uso de tecnologias da informação como um meio para remodelar a educação formal e informal no século XXI. Ela envolve indivíduos como membros do grupo, mas também envolve fenômenos como a negociação e o compartilhamento dos entendimentos, incluindo a construção e a manutenção das concepções compartilhadas das tarefas, que são cumpridas de forma colaborativa através de processos em grupo (STAHL, 2010). A Aprendizagem Colaborativa provê um modelo de aprendizagem em que estudantes são encorajados a estudar, trabalhar e se engajar em grupo para criar e transformar o conhecimento, fundamentada entre outras, pela teoria sócio-construtivista de Vygotsky, abordando dois aspectos chaves para a construção do conhecimento: o discurso e a colaboração. Pesquisadores e educadores entusiastas da Aprendizagem Ativa têm fundamentado suas pesquisas e experiências na Pirâmide de Aprendizagem (Learning Pyramid), estudo publicado originalmente por Edgar Dale em 1946 e pelo qual ilustra as porcentagens de retenção de aprendizagem pelos estudantes, considerando diferentes abordagens de ensino. No topo da pirâmide, com taxas que variam entre 5 e 30% de retenção, estão abordagens passivas de aprendizagem, como aulas tradicionais, leituras e demonstrações, ao qual posicionam o professor como o centro da aprendizagem. Por outro lado, na base da pirâmide, com taxas de retenção de aprendizagem que variam de 50 a 90%, estão abordagens de aprendizagem ativa, com o estudante como centro do processo, tais quais colaboração, aprender fazendo através de problemas e projetos e ensinar aos colegas (Lalley e Miller, 2007). As pesquisas e os estudos de tendências da Educação, amplamente difundidos pela ciência e por instituições e governos de países sempre muito bem ranqueados em avaliações internacionais, acendem o alerta de que é necessária uma mudança de postura na educação brasileira. Necessita-se enfrentar gerações de estudantes cada vez mais desmotivados, índices de evasão altíssimos no ensino superior, como mostra o relatório de 2012 do Tribunal de Contas da União (TCU, 2012), bem como a formação de profissionais inábeis quanto às competências do século XXI, que oferece ao mercado trabalhadores com um baixo nível de inovação, comprometendo a capacidade de competitividade das empresas. Segundo Hao et al. (2016), a Aprendizagem baseada em Projetos é uma das metodologias de aprendizagem mais eficazes no desenvolvimento de auto-regulação de aprendizagem e engajamento de estudantes em torno de questões autênticas. Hadim e Esche (2002) sugerem a grande eficácia da aplicação da PrBL em cursos de tecnologia e engenharia, sendo responsável inclusive pela reformulação completa de currículos de cursos na Europa. Bilgin at al. (2015) realizou uma revisão sistemática da literatura sobre os efeitos da Aprendizagem baseada em Projetos em diferentes fenômenos de aprendizagem e concluiu que a PrBL contribui positivamente com o seu sucesso acadêmico de modo geral, com a aprendizagem significativa de estudantes da área de ciências, com a aprendizagem individualizada, com a melhora da motivação e engajamento dos estudantes, bem como com o processo de auto-regulação da aprendizagem formal e informal. Muito embora as pesquisas e os relatos de experiências apresentem o quão promissora e efetiva é a Abordagem baseada em Projetos, autores dos livros mais referenciados sobre o tema, Bender (2015) e Larmer et al. (2015), bem como a mundialmente respeitada organização Buck Institute of Education (BIE), reportam os princípios, os conceitos e as técnicas para o planejamento e o gerenciamento de iniciativas seguindo a PrBL, deixando muito claro que a aplicação desse método vai muito além do simples uso de projetos em cursos, algo corriqueiro, porém não comprovadamente eficaz, em diferentes áreas do conhecimento. Apesar de haver um consenso na literatura sobre o que caracteriza a Aprendizagem baseada em Projetos, por se tratar de uma metodologia, o caráter teórico é predominante nos trabalhos e livros da literatura, dificultando a compreensão por parte dos professores de como por em prática essa metodologia de maneira efetiva e seguindo todos os preceitos do método, o que dificulta sua adoção ou ocasiona uso limitado e incorreto da mesma. Através de uma pesquisa não sistemática da literatura em trabalhos científicos e relatos de experiência no Brasil, percebe-se a falta de padrão na aplicação da metodologia como estratégia pedagógica em sala de aula, destoando dos princípios e fundamentos explicitados por Bender e Larmer, o que deixa margens para o questionamento da real eficácia do método nesses casos. Este projeto se enquadra na área temática voltada à pesquisa que promove o desenvolvimento de tecnologias e inovações para o processo educacional. |