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Em virtude do Brasil possuir cerca de 8 mil km de extensão de costa e as principais cidades, os polos industriais e os centros consumidores concentrarem-se no litoral ou próximos a ele. Nesse contexto, o segmento portuário torna-se um importante indutor ao desenvolvimento econômico e social do paÃs (ONO, 2001). Segundo Fonseca (2015), devido a tais caracterÃsticas, os portos, os Terminais de Uso Privativos (TUP) e a navegação de cabotagem surgem como um elo potencial na reestruturação da matriz de transporte brasileira, principalmente no que se refere à intermodalidade e à multimodalidade, que são caracterÃsticas do cenário atual do comércio internacional, colaborando significativamente para a elevação da fluidez territorial.Os portos nacionais possuem relevante papel na cadeia logÃstica brasileira, tanto que em 2018, cerca de 80% do valor exportado, US$ 190 bilhões (FOB), e em torno de 72% (US$ FOB 129 bilhões) do valor importado foi realizado pelo modal aquaviário, e quando levado em consideração somente as quantidades, esse número se torna ainda mais expressivo, passando dos 90% de todo o comércio exterior brasileiro sendo realizado por via do modal aquaviário, ou seja, utilizando a logÃstica portuária nacional (MDIC, 2019). Devido ao exposto, a logÃstica portuária se torna fundamental em um processo de aumento de competitividade dos produtos nacionais, seja em termos domésticos, seja perante o comércio internacional, principalmente quando se analisa a variável custo operacional (GONZALEZ; TRUJILLO, 2008).Segundo a ANTAQ, a infraestrutura portuária brasileira possui um total de 175 instalações portuárias de carga, incluindo portos e terminais marÃtimos e instalações aquaviárias, sendo 99 portos e terminais marÃtimos ao longo da, SC, o qual é objeto deste estudo. No entanto, ainda são escassos na literatura estudos que dimensionam os impactos econômicos gerados pelos eventos climáticos sobre a competitividade dos portos nacionais, em particular sobre os custos operacionais deste segmento.Na perspectiva de promover um estudo de caso especÃfico para os portos de São Francisco do Sul e Itapoá (terminais público e privado), em âmbito geral, propõe-se mensurar os custos operacionais gerados pelos eventos climáticos (descargas, chuvas, ventos e ondas) sobre o porto de São Francisco do Sul e Itapoá,/SC, e projetar custos futuros a serem evitados, a partir de cenários de impactos de eventos climáticos nos custos operacionais do porto em estudo. Busca-se, assim, estimar os custos a serem mitigados dada a preparação do porto aos eventos climáticos a serem previstos para os próximos 20 anos. Especificamente, os objetivos são:(i) Construção e organização de um banco de dados, gerados a partir de informações disponibilizadas pela RAIS, ANTAQ e EPL, como: n° de trabalhadores que operam diretamente no segmento, massa salarial desses trabalhadores, tipo de mercadorias e suas subclassificações, fluxo de mercadorias e serviços (embarque e desembarque), tipo de transporte (longo curso e cabotagem), dados por complexos portuários, terminais públicos e privados, origem e destino (rotas), tarifas, tempo médio para atracação (horas), tempo médio para inÃcio da operação (horas), tempo médio para desatracação (hora), tempo médio atracado (horas), tempo médio de operação (horas) e tempo médio de estadia (horas), nas últimas duas décadas;(ii) Levantamento dos custos operacionais gerados pelo fechamento (parcial ou integral) do porto de São Francisco ocasionados pelos eventos climáticos extremos que acometeram o litoral de SC nas últimas duas décadas;(iii) Projetar os custos operacionais futuros gerados a partir de cenários construÃdos com base nos resultados das estimativas de frequência de eventos climáticos que poderão ocorrer no litoral de SC nos próximos 20 anos;(iv) Projeção da redução dos custos operacionais a partir da construção de cenários futuros aliados à preparação do porto São Francisco frente à s ameaças dos eventos climáticos extremos projetados para os próximos 20 anos. |